AMAZONINO: CIRURGIA, LOMAN E ORAÇÃO

Os veículos de comunicação, de modo geral, nunca tiveram muita preocupação com o estado de saúde do político Amazonino Mendes (PDT), atual prefeito de Manaus, tanto que a maioria das pessoas sabia apenas da sua condição de diabético. Mas depois de sua internação no Hospital Sírio-Libanês (SP), na semana passada, abriram-se grandes espaços na mídia e assim todos ficaram sabendo que ele também problema no coração. A cirurgia para implantação de duas pontes de safena (revascularização do miocárdio), realizada na tarde desta segunda-feira 27, foi amplamente noticiada, assim como o sucesso da operação.
Por coincidência, no mesmo dia a Câmara Municipal de Manaus, por unanimidade, aprovou e promulgou emenda proposta por Amazonino, para alterar a Loman (Lei Orgânica do Município). A alteração permite que o procurador-geral do Município, João dos Santos Pereira Braga, assuma a Prefeitura, na ausência de Amazonino, que tem previsão de deixar o Sírio-Libanês no dia 11 de setembro. A emenda elimina a figura do juiz mais antigo, na linha sucessória. Além da aprovação da emenda, os vereadores, no plenário, fizeram oração pelo restabelecimento da saúde do prefeito, gesto compartilhado tanto por aliados quanto por adversários,
O Portal do Holanda, ao falar sobre o gesto dos vereadores e mostrar a foto do momento da oração, disse que o prefeito “conseguiu fazer com que seus opositores na Câmara rezassem pelo seu restabelecimento” e teceu elogios ao ato. “Foi um gesto de grandeza e de humildade dos vereadores”, afirmou o Portal, na coluna Bastidores da Política, sob o título “Oramos por ti, Amazonino”. “Pode ter valido a corrente positiva em torno dele num momento particularmente difícil. Valeu o gesto. A cidade percebeu que é representada por um grupo de homens que não perdeu a fé, nem a humildade”.
Como se percebe, num único dia o prefeito, de 72 anos, diabético, hipertenso, fumante que terá de largar o cigarro e fazer dieta (ou “mudar o modo de vida”, como disse o jornal A Crítica), recebeu três boas notícias. Sobre a aprovação da emenda à Loman, o título das matérias referiam-se diretamente ao fato de o procurador-geral do Município, amigo de Amazonino, assumir o posto enquanto ele estive de licença médica. Amazonino ficou sem vice-prefeito desde que Carlos Souza elegeu-se deputado federal na eleição 2010. O presidente da Câmara, Isaac Tayah (PSD), é candidato à reeleição e por isso está proibido de assumir, para não se tornar inelegível.
De acordo com o noticiário, o prefeito deveria permanecer na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) mais 48 horas depois da cirurgia do coração. Ao contrário do passado, a partir de agora a imprensa deve fazer constante acompanhamento do estado de saúde do homem que já foi três vezes governador do Amazonas, senador, prefeito e faz parte de um grupo político iniciado por Gilberto Mestrinho (hoje falecido), em 1982.
AINDA SOBRE DEBATES DE CANDIDATOS NA TV
A coluna continua recebendo e-mails de leitores opinando sobre a participação de todos os candidatos a prefeito, nos debates promovidos pelas redes de televisão. Há quem defenda que todos os nove candidatos sejam convidados para o debate e não apenas aqueles de melhor posição nas pesquisas, como acontece. Nesta segunda-feira 27, o leitor Anderson fez a seguinte observação: “Quantos vão ficar até meia-noite vendo o debate?” Se com apenas seis, os debates vão até 11 horas da noite e “poucos assistem até o final”, se vierem mais três, no mínimo aumenta o programa em mais hora, segundo ele.
Outro leitor, que se declara como candidato a vereador pelo PPS, na coligação do ex-senador Arthur Neto (PSDB), afirma discordar da forma como os debates são organizados pelas emissoras de TV. “Infelizmente, o critério utilizado é o da colocação nas pesquisas e isso já é lamentável. Candidatos que exploram a miséria e o sofrimento da população carente para promoção pessoal na TV, sem qualquer objetivo de acabar com isso, estão melhor posicionados que as pessoas sérias e que têm boas propostas”.
Todos, diz o leitor, deveriam ter chances iguais na TV, especialmente nos debates, “onde há o conflito de ideias” e a verdade “encontra um curto espaço de tempo para chegar às casas dos manauaras”. O leitor também cita o candidato do PMN, Jerônimo Maranhão, até agora fora dos debates, embora seja “um conhecedor dos números da administração de Manaus e um técnico capaz de qualificar tanto o debate quanto a administração pública”. A coluna agradece as manifestações dos leitores, que podem servir de análise para quem tem poder de decisão sobre o assunto.

