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População pediu a volta dos militares. Elegeu Bolsonaro e eles retornaram

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Daqui a exatos 9 dias completa 50 anos a edição do Ato Institucional n.5. Daqui a exatos 28 dias o capitão Bolsonaro toma posse como presidente do Brasil, trazendo com ele idéias tão antigas quanto as dos governantes daquele tempo sombrio. Mas o que Bolsonaro e seus amigos militares e o xerife Sérgio Moro fizerem de bom ou ruim pouca gente pode se queixar. Eles terão respaldo de 58  milhões de brasileiros que votaram no capitão. Há 50 anos ( 13 de dezembro de 1968), protegidos por um Ato também assinado  por um grupo de civis, o regime instaurou a censura à imprensa, cassou políticos, fechou  o Congresso e colocou o Supremo de joelhos. 

  • Foto de Evandro Teixeira é em si mesma uma síntese do período governado pelos militares. 


Bolsonaro ainda é uma incógnita, apesar de tudo o que ele já disse. Mas encarna a volta do regime militar, que a população, cega,  pediu nas ruas. A poucos dias de sua posse há medo - medo de radicalização, de perseguição  política, de censura à imprensa, de confronto aberto com o Judiciário e o Congresso. Há medo de fracasso.

O brasileiro sempre  esteve ao longo da história entre o abismo e a esperança. Não poucas vezes optou pelo abismo imaginando que podia flutuar. E sempre se quebrou e com ele o País. 

O medo de regimes totalitários com forte apoio popular que se esvaem com o tempo enquanto eles se tornam  demônios difíceis de exorcizar. 

Não por acaso, com medo da guerra em 1940 Carlos Drumond  de Andrade escreveu seu poema "Congresso Internacional do Medo", que parece tão atual e aplicável ao Brasil de hoje. No ano anterior a Alemanha de Hitler havia invadido a Polônia e instalara um regime de terror que por muito pouco não se apoderou do mundo. 

Para quem nunca leu Drumond, vai o poema abaixo. Ler vale a e pena...

Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,

não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Carlos Drummond de Andrade

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