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Em livro sobre guerra síria, jornalista narra história do clã Assad

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Depois de prender e torturar opositores, algumas milícias aliadas ao regime sírio pintam mensagens nos muros de cidades destruídas, em um alerta a seus inimigos —“Assad ou queimamos o país”.

A frase se tornou um dos mantras da ditadura de Bashar al-Assad, que desde 2011 reprime uma revolta popular. Mais de 500 mil pessoas já morreram.

“Assad ou queimamos o país” é o título de um livro recém-publicado pelo jornalista Sam Dagher. Em inglês, “Assad or We Burn the Country”. A escolha é precisa. Dagher narra, afinal, como o regime sírio e seus aliados recorrem a atos de extrema violência para garantir, a qualquer preço, a sobrevivência da família

Se não for com Bashar al-Assad ao mando, dizem, não há país. Uma fotografia compartilhada por Dagher na rede social Twitter mostra um entre tantos exemplos do grafite. O texto diz “Assad ou ninguém. Assad ou queimamos o país”.

O livro tem recebido loas pela maneira detalhada com que retrata a história dos Assad, no poder há quase 50 anos. O texto é baseado na experiência de Dagher, que trabalhou na região, e em entrevistas com pessoas próximas ao regime.

A cruel saga começa com a colonização francesa da Síria e com o golpe executado por Hafez al-Assad —pai de Bashar— em 1970. A minoria religiosa alauita passou a governar o país, enquanto Hafez construía o Estado em torno de si e concentrava o poder nas mãos de poucos. Ele distribuiu benesses a seus aliados, escanteando e eliminando seus inimigos um a um.

Com a morte de Hafez em 2000, Bashar herdou o poder. Consolidou a hegemonia do clã, representado também pelo irmão Maher e pela família Makhluf.

“Assad or We Burn the Country” é longo, com 460 páginas na versão em capa dura. A leitura, porém, flui no texto de Dagher. Mesmo quem conhece bem esses acontecimentos prende a respiração nos episódios-chave da guerra civil síria, quase como se ainda tivesse alguma esperança de que acontecimentos como a destruição de Homs e o ataque químico de Ghuta pudessem ter sido evitados.

Fica evidente, ademais, como a inação americana contribuiu à escalada do conflito, culminando no estado de calamidade em que o país se encontra hoje, em meados de 2019. Ao menos 5 milhões deixaram o país e outros 6 milhões foram deslocados internamente. Alguns desses refugiados rumaram ao Brasil, mas a maior parte deles segue no Oriente Médio.

De certo modo, a ameaça “Assad ou queimamos o país” já se cumpriu.

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